quinta-feira, junho 16, 2011

Cadê a minha "empada de palmito"?

Sério, cadê? Onde foram parar as empadas comidas por engano, a compra de pipocas no meio da Dr Arnaldo congestionada, os sequestros do peixe case (o peixe case?), sapatos de flamenco e dias em que todo mundo resolve metralhar todo mundo (e ficamos presos no trânsito por causa disso)?

Onde foi parar a habilidade de rir de qualquer besteira, de mergulhar em qualquer aventura, de viver sem noção do tempo; do tempo que está tão presente e deixando a vida cada vez mais séria. Esse tempo que faz a vida passar sem que a gente perceba, sem que a gente a sinta.

Onde foi parar a sensação de viver o maior seriado da história da televisão que ainda não foi inventado? De que a nossa vida tem o roteiro mais inusitado (e que a maldita da roteirista está sempre de TPM). Onde foi parar a habilidade de viver a vida como ela deveria ser vivida pra sempre?

Em que curva do caminho perdemos a habilidade de filosofar a respeito de tudo, de achar tempo para ficar com os amigos, para fazer coisas que não são importantes, por que essas são as coisas mais importantes da vida. Em que curva da estrada perdemos a habilidade de viver fora do normal?

Eu quero saber em que curva a habilidade de ser feliz com tão pouco encostou e ficou. Em que curva a vida mudou tanto e tão depressa. Quero recuperar a habilidade de viver assim, sem papas na língua e na vida. Quero encontrar de volta a habilidade de rir do que não se deve rir, do sério, do problemão, do que não tem solução.

Cadê aquela época que o tamanho da sua casa, do seu salário e do seu título não determinavam a sua importância?

Cadê? Onde foram parar os diálogos incríveis, os monólogos incríveis, as pessoas que não trabalham com manteiga e a habilidade de rir das 20 coisas foda sobre as pessoas?

Quero de volta a época que éramos do tamanho dos nossos sonhos... Quero de volta essa habilidade, esse talento perdido. Um dia eu ainda te encontro de novo. Um dia eu vou encontrar a curva em que você ficou esquecido.

segunda-feira, abril 25, 2011

Hoje

Não quero saber das ações, das pessoas, dos sentimentos.
Não quero falar das razões, dos motivos, dos outros.
Não quero saber o que aconteceu no mundo, não quero aprender uma expressão nova, não quero terminar o meu livro.
Hoje não quero saber de nada, nem entender os mistérios do universo.

Há dias em que me preocupo demais, me descabelo, saio de mim. Há dias em que não há razão de nada além da razão de ser quem se deve ser. Há dias que vivemos e outros que vivemos muito pouco.

Mas hoje não. Hoje não quero saber das flores e das desgraças.
Não quero explicar o meu descontentamento com o mundo.
Não quero saber do seu descontentamento com o mundo.

Quero estar "só" no sentido espiritual da palavra. Quero aliviar a alma do peso de existir para o mundo e para os outros. Quero simplesmente existir e ponto, como existem as coisas que não servem para nada. Hoje queria não servir para nada e estar bem assim.

Queria arrancar esse peso de dentro de mim. Hoje quero arrancar esse band-aid velho que esconde um machucado que ainda está aberto e sangrando.

Já vivemos de abandono e de sobras. Vivemos nos espaços disponíveis do mundo, nas oportunidades possíveis do destino, na vida que a vida lhe permite ter. O poder, o controle e o conhecimento são ilusões necessárias que sustentam a vida e que servem para nada. São só ilusões, nós os mágicos, a vida o palco. Mas o roteirista do espetáculo não sabemos quem é...

E eu estou cansada das verdades e das mentiras.

Por isso hoje não quero saber de nada disso. Não quero saber das lições que ainda não aprendi, das coisas que ainda não vivi, da pessoa que eu ainda não sou.

Hoje não quero escutar, nem falar, nem sentir, nem viver.
Hoje eu só quero que o dia termine bem... antes do ato final, antes da cortina cair.

terça-feira, fevereiro 22, 2011

Diálogos Incríveis: Aquele do Status no Facebook

Em uma loja maldita de cup-cakes malditos...

Cliente*:
Vocês tem delivery?

Atendente:
Não...

Cliente:
Ai... Graças a Deus!


THE END

*Os nomes reais dos personagens acima foram ocultados por falta de verba para pagamento de direitos autorais e de utilização de imagem.

Writer's Block

Ok, admito, eu tenho writer's block. Aliás nem sei se writer's block é algo que se tem ou algo que se vive, se vem e vai com o tempo ou pode durar a vida inteira, se dá pra "curar" com treino e determinação ou como tantas outras coisas na vida precisa de tempo, se você deve lutar contra ou simplesmente dar as mãos e "go with it".

Escrever é uma coisa muito perigosa. Seja profissão, passatempo ou algo que você faz quando manda um email de desabafo pra alguém (msn, skype, facebook, qualquer que seja a sua onda). Abre portinhas, caixinhas e janelinhas do inconsciente que nem sempre a gente quer abrir ou que a gente nem sabe que existe.

Eu tenho várias caixinhas que nem sei que tenho, elas aparecem de surpresa, um presentinho da minha querida psique... Ela adora me dar presentes desse tipo, essas caixinhas com surpresas dentro. Eu e o meu inconsciente kinder ovo. Valeu psique!!

Então você pode até pensar que no final das contas é bom ter writer's block, certo? Afinal "penso logo, me fodo". Então a matemática da coisa fica mais ou menos assim:

Penso + escrevo = caixinhas abertas. Caixinhas abertas é igual a mais pensamento.

Mais pensamento + caixinhas abertas = me fodo. Resultado negativo.

Em contrapartida writer's block é maior que mais pensamento.

Menos pensamento = Mais felicidade! Resultado positivo.

Resposta errada. Porque writer's block não é maior ou igual à falta de criatividade.

Seu cérebro continua full mode pensando, imaginando, criando e encontrando caixinhas escondidas no inconsciente kinder ovo. O que o writer's block faz, e é pior que não ter idéia alguma na minha humilde opinião, é que essas idéias nunca se concretizem no papel.

O writer's block é para a arte de escrever o que a depressão é para a arte de viver.

Quem está depressivo não está feliz com a sua condição, nem está acomodado, confortável. Quem está depressivo não faz de propósito, não é louco, não é loser, não é pessimista, não é estranho. Não dá pra curar a depressão com aspirina e uma voltinha no parque.

Quem está depressivo tem consciência da sua condição, tem vontade de ser feliz, quer mudar, agir, viver e sorrir. Quem está depressivo quer esquecer, quer seguir em frente, dar a volta por cima, viver o presente, não se preocupar com o futuro, sentir o prazer de estar vivo, respirar, experimentar e ser agradecido no fim do dia pelo balanço das coisas.

Mas a depressão é o writer's block da vida, logo essas idéias não se concretizam no papel.

E então a matemática fica mais ou menos assim: Depressão é maior ou igual à vida. Logo WTF is life supposed to be?

Pelo menos hoje eu consegui voltar a escrever um pouquinho... Resultado positivo.

Agora é só pedir todas as noites pra quem quer que esteja lá em cima levar esse writer's block pra longe de mim.

Música do dia_"Dream" by Priscilla Ahn.
Filme do dia_"It's kind of a funny story" by Anna Boden & Ryan Fleck.
Frase do dia_"You're cool. You're smart. You're talented. You have a family that loves you. You know what I would do just to be you for just a day? I would do so much. I would, I don't know, I'd just... I'd just live. Like it meant something" by Bobby in It's Kind of a Funny Story.

segunda-feira, maio 24, 2010

Live Together, Die Alone


Tudo começou no dia 22 de Setembro de 2004, primeiro dia de exibição da série Lost nos Estados Unidos. Eu entrei em contato com os personagens e com a história um tempo depois disso e a partir desse dia eu nunca mais parei de assistir.

Tive meus momentos de altos e baixos, principalmente com a última temporada. Cheguei a quase desistir, sempre assistia atrasada, no dia seguinte da exibição, não tinha mais tanta curiosidade nem forças para discutir a respeito e estava preparada para muita decepção com o episódio final.

E depois de 6 anos de espera, ontem, às 23h30 do dia 23 de Maio de 2010, a minha ficha finalmente caiu.

Lost respondeu todas as minhas perguntas, sem responder praticamente nenhuma. Eu ainda estou abalada com o episódio final, apesar de saber durante todo o seriado o que estava acontecendo, apesar do medo de que esse seria o final, que essa seria a explicação de tudo que estava acontecendo na ilha.

Mas a vida é assim mesmo não é? Nós temos medo da verdade até o dia que ela aparece, nós temos medo do futuro e um dia ele chega, nós tentamos resolver os problemas do nosso passado em vão e aí temos que conviver com eles, nos punimos, nos separamos do mundo, das pessoas, da nossa fé. Vivemos fazendo perguntas que lá no fundo já sabemos as respostas, a gente só não quer acreditar nelas.

E então um dia a gente entende tudo.

Um dia a gente aprende a deixar o passado pra trás, aprendemos a perdoar os outros e a nós mesmos e aprendemos a acreditar de novo. As vezes a vida precisa dar um forcinha e algo realmente mágico acontece diante dos nossos olhos, e então conseguimos ver tudo com mais clareza.

Seguir adiante não é nada fácil, estar de bem com o nosso próprio destino menos ainda. Mas nenhuma alma nesse planeta merece viver a eternidade sem uma chance de redenção.

Lost nada mais é do que uma série sobre a redenção. Sobre a vida e a morte.

Eu não quero conversar tecnicamente sobre a série, sobre o roteiro, a produção, não quero racionalizar os acontecimentos, o que Lost deixou em mim foi emocional.

Foi a filosofia sobre a vida e sobre a morte e a grande discussão sobre a veracidade do destino. A idéia de que na vida nós não temos nenhuma resposta, não existe um bem ou mal absoluto e na maioria das vezes a gente não sabe mesmo para onde estamos indo, ou de que lado ficamos. Mas nada disso pode impedir a nossa jornada de seguir adiante. Cada um de nós tem o seu caminho pra trilhar, as lições que aprender, até chegar o dia que tudo acaba. E a gente não sabe quando esse dia vai chegar.

Todos nós, de uma forma ou outra, estamos perdidos. E as respostas que a gente precisa estão na nossa frente o tempo todo, mas as vezes nós ainda não estamos preparados pra ver. E ontem, a gente viu.

Eu ainda vou pensar, falar e escrever muito mais sobre Lost, pois a complexidade do tema vai além de um simples texto como esse. Mas por hoje eu vou parar por aqui e simplesmente continuar sentindo e experimentando a revelação que o episódio final trouxe pra mim e que eu ainda não consigo expressar.

In the end all the suffering does pay off, e eu estou feliz que eu não desisti de Lost no meio do caminho.

Então eu deixo esse texto sem respostas, claro, mas com alguns trechos de Lost, pra gente lembrar porque os fãs vão sentir tanta saudades.

"The End"
(See you in another life, brotha)

Lost Quotes:

Jack: It's been six days, and we're all still waiting. Waiting for someone to come. But what if they don't? We have to stop waiting. We need to start figuring things out. A woman died this morning just going for a swim. He tried to save her and now you're about to crucify him. We can't do this. Every man for himself is not going to work. It's time to start organizing. We need to figure out how we're going to survive here. Now I found water. Freshwater, up in the valley. I'll take a party up there at first daylight. If you don't want to come then find another way to contribute! Last week most of us were strangers. But we're all here now. And God knows how long we're going to be here. But if we can't live together—we're gonna die alone.

--

Sayid: If we tell them what we know, we take away their hope... and hope is a very dangerous thing to lose.

--

Desmond: See you in another life, brotha!

--


John Locke: That's why you and I don't see eye-to-eye sometimes, Jack. Because you're a man of science.

Jack: Yeah, and what does that make you?

John Locke: Me, well, I'm a man of faith. Do you really think all this is an accident -- that we, a group of strangers survived, many of us with just superficial injuries? Do you think we crashed on this place by coincidence -- especially, this place? We were brought here for a purpose, for a reason, all of us. Each one of us was brought here for a reason.

Jack: Brought here? And who brought us here, John?

John Locke: The island. The island brought us here. This is no ordinary place, you've seen that, I know you have. But the island chose you too, Jack. It's destiny.

Jack: I don't believe in destiny.

John Locke: Yes, you do. You just don't know it yet.

--

John Locke (to Jack): Why do you find it so hard to believe?

Jack: Why do you find it so easy?

John Locke: It's never been easy!!

--

Sun: Did you see me?

John Locke: Saw you ripping apart your own garden? No. Sometimes I wish I had a garden to rip apart. I heard you have lost your wedding ring.

Sun: Yes. I have been looking for it everywhere.

John Locke: You know, I have once lost something valuable to me. Luckily, I found it later.

Sun: How?

John Locke: By finding it the way everything gets found. I stopped looking.

--

Kate: I'm sorry I kissed you.

Jack: [pause] I'm not.

--

Penelope (written in a letter to Desmond): Because all we really need to survive is one person who truly loves us. And you have her.

--

Hurley (to Sayid): You can't let people tell you who you are dude. You got to know that by yourself.

--

John Locke: Don't tell me what I can't do.

--

Jack: You can punish yourself as much as you want but that will never bring him back, what happened happened and you can let it go now.

John Locke: What makes you think that letting go is so easy?

Jack: It's not. In fact I don't really know how to do it myself. And that's why I was hoping that maybe you could go first.


John Locke: Goodbye doctor Shepherd.

Jack: I can help you John. I wish you believed me.

quarta-feira, dezembro 23, 2009

Feliz Ano Novo Oh Captain My Captain

E então chega mais uma vez a hora da renovação. A hora de dar presentes, de abrir presentes, de desejar coisas boas, a hora de dar abraços apertados, de dizer eu te amo, a hora de se vestir de branco, renovar as esperanças e começar tudo de novo.

É a magia do fim do ano e esse é um especial, porque está chegando o ano que fecha o fim de uma década. Muita coisa pra se pensar e renovar.

E nesse ano novo eu quero acreditar no poder transformador dessa renovação do tempo. Eu quero acreditar que podemos fazer desse fim de década algo especial, um ano de sonhos realizados, de mudança de energia, de caminho, de pensamento. O ano em que a gente lembre que as vezes você precisa "mudar de ângulo" para olhar as coisas de uma forma diferente. Eu quero começar 2010 com o espírito do Carpe Diem: "seize the day boys, make your lives extraordinary".

Acho que em 2010 a gente pode fazer da nossa vida uma experiência extraordinária. Por isso fecho o ano de 2009 com um quote muito querido no meu coração (que é claro que eu sei de cor) de um dos meus filmes favoritos, daqueles que cresci assistindo e que de uma forma ou de outra fazem parte da minha personalidade.

Eu deixo 2009 com um trecho de Sociedade dos Poetas Mortos:

John Keating

"We don't read and write poetry because it's cute.
We read and write poetry because we are members of the human race. And the human race is filled with passion.

And medicine, law, business, engineering, these are noble pursuits and necessary to sustain life. But poetry, beauty, romance, love, these are what we stay alive for.

To quote from Whitman, 'O me! O life!... of the questions of these recurring; of the endless trains of the faithless... of cities filled with the foolish; what good amid these, O me, O life' Answer: That you are here - that life exists, and identity;
That the powerful play *goes on* and you may contribute a verse. What will your verse be?"

Qual será o seu verso em 2010?

Feliz 2010! Feliz verso novo!

sexta-feira, dezembro 18, 2009

Death and All His Friends

Eu não sei o porquê, mas sexta-feira é o dia da semana que mais mexe comigo. Não digo "mexer" naquele sentido que todos conhecemos, como eles gostam de dizer aqui nos Estates "Thank God it's Friday", a sexta mexe comigo num sentido mais profundo mesmo.

As vezes é uma tristeza, as vezes é só um estado de contemplação, as vezes é uma inquietação, as vezes é só uma necessidade de fazer algo maluco totalmente fora de contexto.

Os outros dias da semana não me trazem muito no que pensar, eu sigo a minha rotina e quando chego em casa tem tanta coisa pra fazer que nem dá pra planejar muito. Na sexta não. Na sexta existe aquela sensação de liberdade, de escolha. Todas as portas do fim de semana se abrem ali mesmo, naquele momento em que eu percebo que o trabalho acabou e estou livre pra ir pra onde quiser, pra fazer o que quiser, pra escolher como será o meu fim de semana.

Você pode até me questionar dizendo "mas poxa, sabadão também pode ser assim". Pode mesmo, mas a sexta é o começo de tudo e a gente sabe como o começo de tudo é sempre o mais complicado. A sexta chega batendo na sua cara: chegou o fim de semana e o que você vai fazer com o seu tempo livre??

Acho que por isso toda sexta eu tenho um quê de alegria e depressão. Por causa dessa pergunta tão simples mas tão profunda: O que você vai fazer com o seu tempo livre? O que você vai fazer com a sua vida nesse fim de semana? Que caminho você vai escolher?

Talvez seja porque no dia a dia eu não me faça essa mesma pergunta, eu simplesmente sigo a minha rotina, sigo o roteiro da minha vida. Quem sabe se eu me perguntasse todo dia antes de me levantar que escolhas quero fazer com a minha vida no dia de hoje, ou como quero que o meu dia siga e mais importante ainda, como quero que ele termine, algumas coisas caminhariam diferente na vida. Ou eu viveria com mais angústias ainda? Vai saber.

Hoje eu estava pensando nisso. Passei o dia pensando nisso pra falar a verdade. E cheguei naquele ponto crucial que falei no começo desse post. O momento em que o trabalho acabou, a sexta está seguindo o seu percurso e a pergunta chegou: o que eu quero fazer da minha vida neste fim de semana?

E enquanto eu estava me fazendo essa pergunta a música "Death and All His Friends" do Coldplay começou a tocar no meu Itunes e me deu tanta inspiração que resolvi dividir aqui no blog com vocês. A música é do CD Viva La Vida.

Bom fim de semana! Espero que vocês façam boas escolhas!



segunda-feira, novembro 30, 2009

Diálogos Incríveis: Aquele do "Vou Alimentar Minha Lhama"

Uma madrugada, dois amigos e um MSN... (Para dar uma quebrada nessa onda "posts sem noção pré prozac")

Alberto says:
Tá passando Calígula... hahahaha... faz o favor!!! Ó meu Sábado!!!

Lisbela says:
Assim... 2 da matina... concorda? É claro que vai estar passando Calígula... o que você queria?

Alberto says:
Quer mesmo que eu responda?

Lisbela says:
Manda!

Alberto says:
Queria estar de frente pro mar ou num iate em alto mar, tomando um caipirinha ou algo do tipo, ouvindo o som do vento, sem ninguém por perto para que eu e a Jennifer Connelly pudéssemos ficar livres e a vontade...

Lisbela says:
Boa!

Alberto says:
Mas ela é casada e não vou entrar em uma briga com o Paul Bettany. Mesmo ele merecendo por ter feito aquele padre albino no Código da Vinci.

Lisbela says:
É ele totally merece!

Alberto says:
Mas não precisa... eu tenho sonhos mais palpáveis!

Lisbela says:
É sempre bom ter um plano B!

Alberto says:
Eu sou meio azarado nesse ramo... mas também não sou um fudido total... sou um fudidinho apenas...

Lisbela says:
Ou seja... nem pra isso serve...

Alberto says:
Porque não dá pra ser um fudido em todos os ramos da vida, então somos tipo fudidinhos... Por exemplo: você é pobre, banguela e curintiano? não? se fosse era fudidaço!!

Lisbela says:
exato!

Alberto says:
Você não tem emprego mas batalha, toma 100 conduções pra chegar em casa, sua mulher ainda te dá esporro, aí você gasta tudo na cana e é palmeirense? Você é fudido!

Lisbela says:
Conheço histórias assim.

Alberto says:
Mas se você tá como a gente, tem um trampo mas nem sempre tem um auê, fica indo e vindo com amores que não são agradáveis, tem uns desentendimentos e ainda as pessoas fazem cara feia?? Aí você é só um fudidinho!

Lisbela says:
Fudidinhos e mal pagos!

Alberto says:
E pode ser um estado de espírito também!

Lisbela says:
Exato!

Alberto says:
Hoje estou fudidaço, mas amanhã eu me livro e fico só fudidinho! Ai vou jogar PS3 online e jogo contra um cara do México. Se eu perder to fudidinho (os caras são bons). Mas aí jogo contra um cara do Peru, se eu perder sou um belo de um puta de um fudidaço!

Lisbela Says:
Porque o cara deve ser o único no Peru que tem PS3!

Alberto says:
Sim... E essa história do videogame é real! Mas eu não perdi, a conexão caiu...

Lisbela Says:
sei...

Alberto says:
...eu não estava preparado pra me sentir um fudidaço. O peruano deve ter ficado puto!

Lisbela Says:
com certeza!

Alberto says:
Tipo: brasileiro de merda, ia perder pra mim e arregou!!! Chega!!! Vou alimentar minha lhama!!!

segunda-feira, novembro 23, 2009

Momento: Alter egos que te definem...

Alter Ego #1: Clementine Kruczynski
Filme: Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças
Special Quote: "I'm just a fucked up girl looking for my own peace of mind".


Alter Ego #2: Amelie Poulain
Filme: O Fabuloso Destino de Amelie Poulain
Special Quote: "Any normal girl would call the number, meet him, return the album and see if her dream is viable. It's called a reality check. The last thing Amélie wants".


Alter Ego #3: Penny Lane
Filme: Quase Famosos
Special Quote: "When we go to Morocco, I think we should have completely different names and be completely different people."

terça-feira, novembro 03, 2009

Se sonhar pudesse ter um gosto...

Tem o gosto de fruta da estação e de coisa proibida, o gosto daquilo que se deseja.
É o gosto da alegria que explode sozinha, o gosto dos pulsos em sincronia.
Tem o gosto que tem um abraço.
O gosto de um olhar que ninguém viu, escondido, e um sorriso solto pelo ar.

Tem o gosto que tem uma gentileza.
É o gosto de tudo aquilo que não se entende.
Tem o gosto daquilo que se fala com os olhos e o coração sente.
O gosto do que não se pode ter para sempre.

Tem o gosto que tem a vontade, se sonhar pudesse ter um gosto.
É o gosto tão novo e tão conhecido que tem até gosto de casa.
Tem o gosto daquilo que se espera por uma vida inteira.
O gosto de noite com lua cheia num céu de poesia.

Tem o gosto dos amores de neruda, marquez e moraes.
É o gosto de um amor nos tempos do cólera moderno.
Por que tem o gosto da certeza incerta e do passar do tempo.
Tem gosto de vida, tem gosto de força e fica o gosto da saudades.

E a gente conta os minutos, os segundos e a vida passa entre nós tão rápida...
Mas o gosto fica.

quarta-feira, outubro 28, 2009

A cada mil lágrimas sai um milagre...

Eu cresci testemunhando o poder que o cinema tem na vida das pessoas.

Eu vi o cinema mudar o destino de muitos, acalmar um coração, inquietar outro, criar uma revolução, salvar uma vida. Isso mesmo, eu testemunhei o cinema salvando uma vida. No momento em que as luzes se apagam e a lanterna mágica se acende, e todas aquelas histórias de vida param no tempo juntas para viverem uma outra vida, e por 2 horas verem o mundo através dos olhos de um outro alguém.

Mesmo que elas não saibam ou sintam esse poder, ele existe. O poder de ser o outro sem que ninguém tenha que te pedir para ser o outro, ou sem qualquer resistência da sua parte. Você não deixa de ser você mesmo mas sente na pele uma situação totalmente diferente da sua experiência de vida. O cinema tem esse poder unificador.

Tantos com tantas experiências diferentes ao redor da mesma história, sentindo a mesma coisa. Acredito que essa é uma das razões que me faz amar o cinema acima de todas as outras artes. Por que o cinema é entre todas a mais eclética, a mais unificadora.

Talvez ele dispute acirradamente com a música o primeiro lugar (e como o cinema depende dela). Mas ainda assim, cada qual pode interpretar uma determinada canção de uma maneira, de acordo com o que estava vivendo naquele momento da sua vida e que não é necessariamente o sentimento que o artista estava querendo passar. O cinema não. Você é "forçado" a realmente ver e sentir o mundo do jeito que o artista quer. Só por aquelas 2 horas. Você pode gostar ou não do que viu e aí sim a coisa é com você.

Dentre todas o cinema é a arte mais cheia de empatia. E a empatia é uma palavra que sozinha poderia mudar o mundo, se estivéssemos preparados para ela. Mas não estamos. Por isso seguimos a nossa vida sem saber como é ser o outro. Por isso tantos seguem a vida machucando e não curando.

E o cinema tenta entender isso. Ele nunca dá respostas, mas ele te leva para muitos lugares escondidos e talvez nesses lugares a gente encontre um pouco de luz.

Alguns filmes te levam para uma vida que você não viveu. Outros te levam para uma história do seu passado ou para a sua infância. Alguns te transportam para um mundo tão diferente do seu que nem parece real. Alguns salvam a sua vida.

E existem aqueles outros que de uma forma inexplicável te levam pra casa.

Eu queria poder encontrar um desses hoje. Assim quem sabe eu poderia ir pra casa, nem que fosse por apenas 2 horas.

Filme do dia_"Once" by John Carney
Música do dia_"Lies" e "Once" by Glen Hansard e Marketa Irglova

Frase do dia_ A Quote from the movie "Once":
- Girl: How come you don't play during daytime? I see you here everyday. - Guy: During the daytime people would want to hear songs that they know, just songs that they recognize. I play these song at night or I wouldn't make any money. People wouldn't listen.
- Girl: I listen.

sexta-feira, outubro 23, 2009

No Direction Home

A gente sempre precisa de um tempo para entender certas coisas na vida, e muitas talvez a gente nunca entenda. Especialmente quando essas coisas estão relacionadas a arte. Por isso tenho alguns livros na minha estante que levo anos para ler, ou filmes que enrolo e enrolo até finalmente colocar no topo da minha lista do Netflix. Ainda não chegou o momento certo de assistí-los, ainda não estou pronta para eles. Tudo na vida é uma questão de timming, o aprendizado também.
As vezes você ainda não está pronto para entender em toda a sua amplitude um determinado assunto ou sentimento. Principalmente o sentimento. As vezes você até passa uma vida inteira não entendendo uma determinada decisão que você tomou, ou que sentimentos te dominavam num determinado momento de insanidade. As vezes a gente entende, as vezes não.
Mas a sua experiência de vida vai se acumulando e você acaba aproveitando mais alguns momentos, alguns gostos, algumas travessuras, algumas pesssoas, alguns livros e alguns filmes. Por que você entende tudo isso com mais profundidade. Aconteceu recentemente comigo quando assisti ao filme "The Curious Case of Benjamin Button" e acabei procurando o roteiro pra ler. Fiquei impressionada como me conectei com o filme, com a maneira como o roteiro foi escrito, todas as metáforas, o que cada personagem representa de fato.
A linda poesia do amor de Benjamin e Daisy. Ela nasce jovem e ele velho. A cada dia que passa ele rejuvenesce e ela vive o curso natural da vida. Os dois vivem muitos encontros e desencontros por causa disso e um tanto número de rejeições até finalmente conseguirem ficar juntos, até se concretizar o grande encontro mágico no meio do caminho da vida dos dois. No meio do caminho. Enquanto Benjamin continuava ficando cada dia mais jovem e Daisy cada dia mais velha.
É claro que a separação dos dois é iminente na história. O amor não foi feito para eles e não há nada a se fazer quando a vida decidiu não te dar uma chance. Para eles sempre foi tarde demais. A separação vai ficando cada dia mais paupável para Benjamin quando ele e Daisy acabam tendo uma filha juntos, uma menina, Caroline. Ele está ficando cada dia mais jovem e uma hora ele vai virar um bebê novamente e Daisy não pode cuidar de duas crianças ao mesmo tempo. Então Benjamin decide ir embora, para dar uma chance a Daisy de encontrar um homem que fosse capaz de dar para ambas a família que ele nunca seria capaz. Quem sabe assim ela ainda tivesse uma chance de ser feliz.
Entre tantas cenas cheias de poesia uma em especial me emocionou demais ao ler as páginas do roteiro e eu resolvi transcrevê-la aqui. A última carta que Benjamin deixou para a sua filha Caroline e que depois dela não se soube mais do paradeiro dele. Talvez quem sabe pensando nos próprios erros que ele cometeu, nas próprias decisões que ele faria de novo se tivesse mais tempo.

252A. AROUND THE WORLD
And Benjamin's voice comes in... WHILE WE SEE HIM IN VARIOUS PLACES ALL OVER THE WORLD, A MONTAGE, A FILM WITHIN THE FILM, OF THE ROAD HE'S TAKEN...
benjamin button's (V.O.)
"... what I think is, it's never too late...
or, in my case, too early, to be whom you want to be...
There's no time limit, start anytime you want...
change or stay the same... there aren't any rules...
we can make the best or worst of it... I hope you make the best...
I hope you see things that startle you.
Feel things you never felt before.
I hope you meet people who have a different point of view.
I hope you challenge yourself.
I hope you stumble, and pick yourself up.
I hope you live the life you wanted to...
and if you haven't I hope you start all over again..."
---
No começo do filme Daisy, no seu leito de morte, conta para a filha Caroline a história do melhor relojoeiro de todo o mundo, que perdeu o único filho prematuramente. Ele foi contratado para construir um relógio em uma linda estação de trem na cidade. O relojoeiro passou anos e anos da sua vida construindo o "mais lindo relógio em todo o mundo". Todas as pessoas da cidade foram ver o dia em que o relógio seria ligado na estação pela primeira vez. O relojoeiro estava lá, e quando ligaram o relógio ele começou a girar ao contrário.
Todos ficaram chocados com a falha do artista do tempo, como um relojoeiro de tanto renome poderia cometer um erro assim? E então ele revelou: Eu construí esse relógio com a esperança de que ele trouxesse de volta todo o tempo perdido, e então assim tantos jovens que perderam a sua vida prematuramente pudessem voltar pra casa para serem felizes, para se apaixonarem, para viverem suas vidas.
Quem sabe o relógio, ao girar ao contrário, consiga voltar no tempo e assim todos aqueles que foram privados de viver, possam ter uma segunda chance.
Nunca mais se soube do relojoeiro depois da inauguração do relógio. Mas a sua obra permaneceu pendurada na estação de trem, contando o tempo ao contrário a cada dia, em nome daqueles que tiveram o seu tempo perdido.
Eu realmente espero que a gente esteja vivendo a vida que escolheu e se não a queremos mais, espero que a gente tenha forças pra começar de novo, mesmo que seja do começo, mesmo que seja "tarde demais", mesmo que seja incerto, mas se for verdadeiro, deixe ser, e que a gente se deixe viver.

sábado, outubro 17, 2009

Onde Vivem os Monstros


"Você sabia que um dia o Sol vai morrer?" E que um dia tudo vai acabar? O mundo, os humanos e o universo?

Você sabia que existe um monstro dentro de você? Um não, muitos. E cada um traz em si uma emoção, uma impulsividade, uma criança, um medo, um sorriso, um sonho, uma raiva, uma lembrança.

São selvagens esses monstros. Eles não agem de acordo com um código moral, ou de leis, nem respeitam uma escala hierárquica.

Eles são feitos de sentimentos. Sentimentos selvagens, puros e indomáveis. E o que eles não gostam ou receiam, eles comem.

Mas um dia eles se perdem, ficam solitários demais. Eles se confundem dentro de tantas perguntas.

Então eles decidem que precisam de um rei. Um rei que promete salvá-los da perdição e da solidão.

O rei tenta dominar todos esses selvagens. Ele tenta convencê-los dos seus poderes sobrenaturais, promete curar todas as suas dores!

Os selvagens, por serem puro sentimento, acreditam no seu rei. E tudo fica bem por um tempo.

E então o mundo onde as coisas selvagens vivem se torna, por um instante, um lugar onde tudo que eles desejam pode de fato existir. Onde os sonhos se realizam, onde a completude existe, onde ninguém dorme sozinho ou com medo.

Mas um dia as coisas mudam... E as coisas selvagens descobrem que o rei é só mais um como eles, mais um comum entre tantos. Um simples Max, o rei de todas as coisas selvagens cheio dos mesmos medos, das mesmas angústias e das mesmas perguntas.

Um menino que foi pra cama brigado com a mãe e sem jantar, que resolveu se aventurar em uma viagem fantástica longe de casa, dentro da sua própria imaginação. "As vezes somos a única família de alguém, e ser família não é nada fácil".

E diante dessa revelação os monstros ficam ainda mais confusos. Perdoar é difícil até pra selvagens tão puros como eles.

É assim que o rei percebe que a sua aventura fora longe demais. Ele conheceu um mundo novo cheio de novas paisagens e experiências. Conheceu os selvagens, tentou compreendê-los e, em vão, dominá-los. E então chega a hora de mudar tudo novamente. Chega a hora de querer estar em outro lugar.

"And Max, the king of all wild things was lonely and wanted to be where someone loved him best of all". Chegou a hora de dizer adeus aos selvagens, chegou a hora de voltar para casa...

"I need a story, could you tell me one?" Once upon a time there was a boy who wore his wolf suit and made mischief of one kind and another. His mother called him "wild thing" and he went to bed without supper. And so he went to a place where only us, the kids, know. So so far.

He sailed off through night and day and almost over a year to the place "where the wild things are".




Filme do dia_"Where the Wild Things are", by Spike Jonze
Música do dia_ "Wake Up" by The Arcade Fire
Frase do dia_"Childhood is measured out by sounds and smells and sights, before the dark hour of reason grows", by John Betjeman

segunda-feira, outubro 12, 2009

Generation Converse

We are the generation converse. We are the daydreamers.

The ones by the corners of the big cities singing, playing, telling the stories of the today and painting the tomorrow.

We are the ones jumping in the dark hole hoping it is not that deep. With our eyes closed and our arms open. The ones that try, the ones that fail and then try again another way. The ones that experiment.

We do our tests and invent our possibilities in a world that was never ready for us. We are anxious, we are angry, we live in the edge of the right and wrong.

We are the ones with the crazy hairs and the endless hearts. The ones that listen, the ones that scream, the ones that can, and the ones that did.

The ones that will never grow old.

We are the generation converse. We were born in a big world under collapse and no one told us it will be alright, but we believe it will. Because we dream of changing things.

We are writing a new tomorrow for ourselves and for the next generations to come. But we are not that sure if anyone will ever read it.

We are the generation converse. I’m pretty sure you heard of us. Maybe even saw one of us, inside our solitude in a train with our eyes sparkling out of pain or joy. We are the ones on all the streets around the world dreaming life to the fullest. Every day, all the time.

We are the generation converse. They told us we can’t dream the impossible. But we do.

Feliz dia das crianças! Feliz dia geração converse!

sexta-feira, agosto 21, 2009

Mais Um

Mais um teste de Stop Motion (e Final Cut)! Desta vez começando a "construir" o set do primeiro curta! Além da jornada em aprender a editar tudo isso no final cut pra poder criar esses filminhos.

Starting the Dream from Vivi Arias on Vimeo.

terça-feira, agosto 04, 2009

Diálogos Incríveis: Aquele dos Ingleses

A long long time ago... um diálogo incrível numa galáxia distante.

Lisbela says:
Mano, o que me deixa mais puta da morte do Michael Jackson é eu não ser famosa! Porque se eu fosse famosa já podia estar trabalhando no filme da vida dele… Já sei até como ia começar o filme e como ia fazer o trailer promocional... que bosta!

Alberto - O "eu vi..." says:
Mas você não é famosa e podia ter feito o filme dos Mamonas... ou do Jean Charles. Agora já era.

Lisbela says:
sim... mas se liga que ridícula a cena: eu chego agora e faço um roteiro do filme da vida do MJ… aí apresento pra alguém... aí eles vão botar na mesa a pilha de outros roteiros de todas as outras pessoas famosas que já estão fazendo um filme e vão virar pra mim e dizer "e você é quem?"

Alberto - O "eu vi..." says:
porém... se o argumento for bom...

Lisbela says:
Eu já tinha que ser famosa antes dele morrer! bosta! Uma coisa é você entregar um dinheiro pra uma novata fazer um filme X qualquer que o argumento é bom… outra coisa é você entregar um dinheiro na mão de uma novata pra fazer o filme da vida do MJ!

Alberto - O "eu vi..." says:
Mas você vai fazer o filme ou o roteiro?

Lisbela says:
Os dois, claro.

Alberto - O "eu vi..." says:
É aí não rola.

Alberto - O "eu vi..." says:
Mas sabe nem acho que precisa ser famoso fodão pra fazer biografias... mas tem que ter feito alguma coisa boa antes.

Lisbela says:
Exato! E eu não fiz porra alguma! Devia ter pensado antes... vou fazer alguma coisa agora antes que o Bono morra.

Alberto - O "eu vi..." says:
faz um filme sobre o Roberto Carlos, po!

Lisbela says:
Se der tempo antes do filme do Bono. Pode ser uma boa pra ter no currículo. Um bom filme nesse esquema nacional...

Alberto - O "eu vi..." says:
O Bono é sem graça. Não tem nada, vida chata, todo certinho.

Lisbela says:
É nada ow! Deve ter vários podres que você pode trazer à tona!

Alberto - O "eu vi..." says:
mas aí você mata o cara!

Lisbela says:
Ele já vai estar morto...

Alberto - O "eu vi..." says:
Mas seu roteiro vai ficar por último no meio dos que falam que ele era legal, que era um jovem hiperativo, operou a garganta e resolveu ajudar o Brasil com a dívida externa.

Lisbela says:
que nada... até lá vai todo mundo querer que eu que faça o filme… tipo encomendado manja? um grandão de um estúdio vai ligar e falar: "Vivi, tava vendo aqui teu filme sobre o Roberto Carlos... magnífico. Você não quer fazer o do Bono não?". Aí eu faço um charminho só pra pintar de boneca e aceito semanas depois.

Alberto - O "eu vi..." says:
Acho que você precisa fazer algo antes. Mas não biografia… você pode fazer um filme sobre a guerra das Malvinas e fuder com aqueles ingleses de merda. Se ganhar dinheiro você deixa eu fazer meu filme sobre o cara que tem o poder de explodir todas as pessoas só com um clique do orkut?

Lisbela says:
Tu é argentino* mesmo né? Até raiva dos ingleses você tem!

Alberto - O "eu vi..." says:
Não tenho raiva dos ingleses... Só acho que eles podiam explodir! Não todos, claro. 50%.

Lisbela says:
É o que todos os argentinos dizem! "Não tenho raiva dos ingleses só acho eles uns bostas", "não tenho raiva dos ingleses só acho que se eles não existissem seria melhor", “não tenho raiva dos ingleses eu só ignoro que a inglaterra existe"…

Alberto - O "eu vi..." says:
Não, sou totalmente isento. Eles são legais. Fazendo música. De resto me devolve minha irmã e vai se foder!

FIM

* O personagem em questão é de fato argentino. Qualquer interpretação da frase acima como uma nova forma de ofender pessoas aleatoriamente é pura coincidência e não se deve ser levada em consideração.

quarta-feira, julho 29, 2009

This is Not a Love Story

"Boy meets girl. Boy falls in love, girl doesn't". Este é o anúncio feito logo no começo de 500 Days of Summer. Mais um filme que vai entrar para minha lista de filmes honestos que não são depressivos, e para a lista dos meus favoritos, claro. Daqueles que vou comprar o DVD e assistir novamente quando bater um "não sei o que".

500 Days of Summer conta a história de Tom Hansen e os 500 dias que passou apaixonado por Summer Finn.

Logo de cara o narrador avisa: "this is not a love story". E não é mesmo. 500 Days of Summer é sobre o dia que Tom conheceu Summer, o dia que Summer beijou Tom, o dia que Tom transou com Summer, o dia que Summer 'sonhou' uma vida a dois com Tom, o dia que Tom se apaixonou por Summer, o dia que Summer se apaixonou por Tom, o dia que Tom levou Summer no seu lugar favorito, o dia que Summer abriu parte do seu mundo para o Tom, o dia que as coisas deram certo, o dia de um sorriso sincero, os dias de cinema, os dias de chateação, o dia que Tom ama tudo sobre Summer, o dia que Tom odeia tudo sobre Summer, o dia que foi o começo do fim, o dia que Summer deu o primeiro sinal de fumaça, o dia que Summer terminou com Tom, o dia que Summer foi embora, os dias que Tom sofreu por Summer, o dia que os dois se reencontraram pela primeira vez, o dia que Tom esperou uma coisa mas viveu outra, o dia que Summer e Tom tiveram uma conversa honesta, o dia da última lembrança, o dia que a esperança acabou, o dia número 500.

Tom aprende que nessa vida não existe destino e sim coincidências, e aí vai da gente fazer dessas coincidências o que bem entender. Summer aprende a acreditar menos no poder das suas próprias decisões e passa a acreditar na força do destino. No final os personagens mudam de papéis, Summer passa a ser mais Tom e Tom passa a ser mais Summer, infelizmente na hora errada, depois que ambos seguiram os seus caminhos em separado.

Lá no fundo eu torci pra que eles dessem certo no final do filme, e quando não deram eu chorei. Bobeira minha já que o aviso tinha sido feito lá atrás: "this is not a love story".

Tem muitas histórias assim no mundo. Pessoas certas, na hora errada. Pessoas erradas, na hora certa.

"Just because you both like to do the same weird stuff doesn't mean she is THE ONE" diz a irmã 'pequena polegar' de Tom. Será?

Não sei mais se existe uma pessoa perfeita para cada um de nós, mas ainda não consegui desistir da idéia da "the one" também. Acho que o mundo está cheio de pessoas interessantes, cada qual com o seu lado branco e negro. E cada uma vai trazer uma experiência diversa na sua vida. Mas eu também sei que algumas pessoas simplesmente "feels like home". E essas pessoas são poucas, se não forem, quem sabe, únicas.

Afinal não é todo dia que você encontra alguém que pensa as mesmas weird stuffs que você, que sente a mesma dor, que você não precisa explicar porque um filme, um livro, uma idéia ou uma cidade te encantam ou atormentam. Daquelas que te sentem, porque lá no fundo elas sabem o que é ser você, e você sabe o que é ser elas. Sem "pré-conceitos", um ser humano que entende e olha para um outro ser humano como um igual, sem divisão de sexo, cor ou credo.

Sem a expectativa de encontrar a perfeição e ainda assim a encontrando.

500 Days of Summer é sobre todos os dias da vida, dias de alegria, dias de tristeza, os dias que a gente divide e se envolve e os dias que a gente foge. Os dias que a gente sabe, os dias que a gente aprende, os dias que a gente se arrepende, e aqueles que mudamos de idéia. Os dias que alguém é especial, os dias que esse alguém é tormento. É sobre os dias de cada um de nós. Os dias que somos Summer e os dias que somos Tom.

Se bobear você que está lendo esse texto aí já teve os seus "500 dias de alguém". Eu sei que eu já tive os meus.

quinta-feira, julho 02, 2009

Fake Plastic Trees

Uma certa vez alguém que eu não me lembro me disse: "aproveita bastante os seus 15 anos garota, depois que você passa dos 18 os anos começam a passar mais rápido". Na época eu lembro que nem dei assim tanta atenção, e como me foi avisado os anos começaram a passar depressa, um mais rápido do que o outro.

E cá estou eu, mais pra 30 que pra 20, esperando aquela iluminação que me foi prometida quando você vai ficando mais velho. Eu ainda não tive nenhuma. Não me lembro se foi Nietzsche ou Shopenhauer que não via a velhice como um espelho da sabedoria, mas do arrependimento e da frustração. Eu to mais pra esse lado da moeda.

Schopenhauer dizia que somente os dias de tristeza nos fazem recordar as horas felizes do passado. E que a tristeza é o único sentimento real e palpável, só a dor é definitivamente verdadeira. Vou citar abaixo um trecho bem interessante de Schopenhauer que estava lendo essa semana:

A FELIC1DADE É UM SONHO

Sentimos a dôr, mas não a ausência da dôr; sentimos a inquietação mas não a ausência; o temor, mas não a tranquilidade. Sentimos o desejo e a aspiração, como sentimos a sêde e a fome; mas, apenas satisfeitos, se acabam, como o bocado que, uma vez engolido, já não existe para o nosso paladar.

Enquanto possuamos os três maiores bens da vida, saúde, mocidade e liberdade, não temos consciência dêles, e só com a perda dêles é que os apreciamos, porque são bens negativos.

Sómente os dias de tristeza é que nos fazem recordar as horas felizes da vida passada.

À medida que os prazeres aumentam, nossa sensibilidade diminui; o hábito já não é um prazer.

As horas passam lentamente quando estamos tristes; correm rapidamente quando são agradáveis; porque a dor é positiva e faz sentir sua presença.

O aborrecimento nos dá a noção do tempo e a distração nos faz esquecer. lsto prova que a nossa existência é mais feliz quando menos a sentimos: de onde se deduz que mais feliz seríamos se nos livrássemos dela.

Uma grande alegria, assim não a julgaríamos se ela não viesse atrás de uma grande dor. Não podemos atingir um estado de alegria serena e duradoura. Esta é a razão porque os poetas são obrigados a rodear seus protagonistas de tristes ou perigosas circunstâncias, para no fim os livrar delas. No drama e na poesia épica, o herói sofre mil torturas: nos romances os heróis lutam pondo em relêvo os tormentos do coração humano.

'A felicidade não passa de um sonho - dizia Voltaire, tão favorecido pelo destino? - a única realidade é a dôr'.

Há oitenta anos que a experimento e nada faço senão resignar-me e dizer a mim mesmo que as môscas nasceram para serem comidas pelas aranhas, e os homens para serem devorados pelos desgostos".


Ando pulando de livro em livro últimamente, tentando achar uma resposta para a felicidade e para a dor. Tentando encontrar uma solução para fugir das fórmulas pré estabelecidas que esta vida nos impõe no momento em que nascemos, e só nos libertamos quando a morte vem. E mesmo da morte o ser humano achou um jeito de criar fórmulas: se você for bonzinho vai pro céu, se for malvado vai pro inferno.

Por que essa mania da sociedade em querer colocar marca em tudo? Ou você é bom ou mal. Ou é gente boa ou não tem amigos. O que você faz da vida te define como pessoa. Você nasce e tem que ir pra escola estudar. Aí cresce e tem que casar e ter filhos. Depois você vive a vida inteira tentando fazer dinheiro para sustentar todos os gastos que você tem no mês para comprar coisas que você no fundo não precisa. Então você acaba entrando dentro do círculo vicioso de ter coisas materiais para poder ser definido por elas. Porque? Pra que viver a vida preso a coisas que você na verdade não precisa? Que se não fossem por elas você estaria livre para ser quem você realmente quer ser. Por que temos que seguir o "caminho natural das coisas". Por que você precisa casar antes dos 30, ter filhos antes dos 35, comprar uma casa e pagar juros pro banco antes dos 40, e passar o resto dos seus dias escravo do seu trabalho, da sua rotina, da sua conta poupança.

E no meio disso tudo você tem que ter uma carreira. Tem que ser importante, virar alguém nessa vida. Tem que ter um título bonito, tem que ser responsável, tem que saber o que quer da vida aos 18 anos quando escolhe uma faculdade pra fazer.

E nadar contra essa corrente é tão complicado. Os caras que combinaram esse esquema mirabolante são genais! Conseguiram escravizar um mundo inteiro. Como um guerreiro solitário vence uma guerra contra um exército infinito? Eu sei que não estou sozinha nos meus pensamentos, me junto a muitos outros que pensam o mesmo. Mas claro, não gostamos de nos unir a nada, por isso seguimos nossas angústias em separado.

E como que a gente faz para seguir uma vida de acordo com as nossas crenças sem ficar solitário para sempre? Ou será que o caminho é mesmo seguir o nosso destino em silêncio, parar de gastar energia nadando contra a maré, aceitar o papel que lhe cabe nesta vida e ler as linhas do roteiro que te deram ao nascer?

Não quero acreditar que a vida é assim mesmo, feita de mentira, como uma plantinha de plástico que nunca morre, nunca cresce, nunca cheira, nunca nada...

Como viver num mundo insano fingindo que se é são?